Prazo de validade?

 

Esta semana fui a uma espécie de entrevista de emprego. Digo uma espécie porque na realidade não existia bem uma vaga de emprego e eu mesmo sabendo que não existia ainda assim, fui. Há a possibilidade de vir a existir uma vaga de emprego num futuro, mais ou menos próximo, que poderá vir a ser para alguém com um perfil, mais ou menos, como eu.

Moveu-me a curiosidade que tinha de conhecer o espaço e principalmente a vontade de voltar a estar no lugar de entrevistada à procura de um emprego por iniciativa minha e não por um convite de alguém que já me conhecia. Deparei-me nesse dia com o facto de estar pela primeira vez, na condição de “avaliada”, diante de alguém mais novo que eu. A idade dos 40 (e eu ainda nem estou lá) traz-nos a certeza de que a idade conta e conta mesmo quando não conta para nós. Não que tenha contado nesta entrevista ou que tenha sido um factor positivo ou negativo, apenas me deixou a pensar nisso: a idade conta. A data de nascimento é um campo obrigatório em todos os documentos de identificação e sempre que o calendário repete essa data somamos um ano aos que já temos: a idade conta e não o digo num sentido pejorativo.

Os anos pesam em medidas diferentes para os que estão abaixo ou acima de nós. Até uma certa idade conhecemos muito mais pessoas mais velhas e a partir de determinada altura começamos a conhecer muito mais pessoas mais novas e esse marco deve estar mesmo muito próximo dos dígitos quatro e  zero, por esta ordem assim ao lado um do outro sem qualquer espaço entre si. À semelhança de um bem consumível tudo à nossa volta parece querer impor-nos um prazo de validade para cada passo que damos: sair, beber, fumar, namorar, casar, ter o 1º filho, o 2º, o 3º e por aí em diante. Haverá limites para um número de filhos a partir do qual deixam de nos perguntar pelo próximo? Acredito que a partir de uma certa idade deixem de perguntar. Ou quando comentamos que temos um familiar doente e nos preparam com sentenças de morte anunciadas, como se a morte precisasse da idade para se anunciar, que é melhor prepararmo-nos porque nessa idade não se esperam outras melhoras.

De tudo o que a idade me traz e leva, lembra e faz por esquecer, segura e desequilibra, tenho a comunicar-lhe que tenciono fazer tudo aquilo a que me proponho sem lhe pedir autorização e talvez até sem apresentar documento de identificação.

O tempo não pára, diz a Mariza numa canção que eu não gosto, mas em dias como o de hoje adoro relembrar a surpresa deste dueto num concerto do Rui Veloso que eu tive a sorte de presenciar. Oiçam-nos aqui.

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