O caminho para a simplicidade

Não sei há quanto tempo sigo a página Pais com P Grande. Fascinam-me a sua escrita, a sua forma de estar na vida, de se dar aos outros e aos seus. Comecei por comentar alguns dos seus posts, trocámos algumas mensagens no messenger e a sua página é daquelas que ora me deixa em lágrimas, ora me deixa com um sorriso rasgado de emoção por tamanha gratidão. Em Junho deste ano começámos a falar com mais frequência. A Sofia estava a preparar uma das aventuras da sua vida e essa aventura ia trazê-la até mim, até Santarém, até Alpiarça, até à minha casa, até mim. Sem hesitar disse-lhe: “Sofia, vais ficar em minha casa. Quero muito receber-te.”

Só falei nisto ao Pedro e aos miúdos quando já estava muito perto da data e percebi que tinha mesmo de contar, só não sabia muito bem como.

– Meninos, vamos receber uma amiga da mãe cá em casa para a semana.

– É amiga da mãe?

– É.

– Mas a mãe conhece-a de onde? da Universidade? vive em França? já viveu numa carrinha? como assim? é hippie? tem tatuagens?

– Filhos, a mãe conheceu a Sofia na Internet.

Silêncio. E eu a ler os pensamentos do Pedro [Sim, senhora. Boa, Patrícia Alexandra. Eu aviso os meus filhos (porque é que quando não estamos de acordo os filhos passam a meus e teus em vez de nossos?) para não falarem com estranhos na Internet e tu, tu abres a porta da tua casa para uma estranha que conhecestes na Internet].

Chegou o dia de receber a Sofia. Com a chegada da Sofia chegou também a sua história, agora em primeira mão, do seu caminho de amor de Lisboa até Santiago de Compostela tendo como meta principal do seu destino: o AMOR cura tudo.  A Sofia apresentou-nos, a mim, à minha mãe, à minha sobrinha Maria, aos amigos que se juntaram a nós num final de tarde nas Portas do Sol, ao meu marido e aos meus filhos o seu caminho de amor. Mas eu percebi, no momento em que a abracei, que o seu caminho era também o da simplicidade e que o amor quando se revela, revela-se assim, simples como a Sofia.

Eu estava cheia de perguntas. Se bem me conhecem, eu não as poupo a ninguém, sobre a vida da minha nova amiga, sobre os desafios que teria de enfrentar até cortar a sua meta, sobre os meses que viveu com a sua família na Maria do Mar (têm mesmo de ler o blog da Sofia porque senão este meu texto fica demasiado longo). Eu desconhecia por exemplo que existem setas a indicar os caminhos de Fátima e Santiago Compostela em sítios onde eu passo todos os dias. Setas amarelas e azuis que eu nunca tinha visto. Estas são tão discretas que se revelam apenas a quem está a fazer o caminho, somente a quem está atento, assim como a Sofia se revelou a mim. Se estivermos muito ocupados com os pormenores não vimos o essencial e o essencial está, quase sempre, lá. Já dizia o Princepezinho “só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”.

O mês passado estive, por desafio da minha amiga / colega / dream team Joana, num pequeno-almoço de networking só para mulheres. Eu adoro estas experiências e partilhas, adoro conhecer pessoas e ouvir as suas histórias embora fique sempre com a sensação que todas as outras histórias de vida são mais interessantes que a minha- não para mim – mas para os restantes presentes. Neste pequeno-almoço, quando chegou a minha vez de falar disse a todas que a minha vida era muito simples. Partilhei a história do meu blog e em poucas palavras falei daquilo que é o mais importante para mim. Eu que tinha estado tão entusiasmada a ouvir as histórias de todas, quando me calei senti também o entusiasmo das que me ouviam. E percebi que, muito provavelmente, a maior parte das pessoas (éramos um grupo pequenino mas muito rico em experiências) que ali estavam, aquilo que mais procuram e ambicionam é precisamente uma forma mais simples de (vi)verem as suas vidas. 

Uma vida mais simples e descomplicada. Mais com os que mais gostamos. Mais estar e menos ser. Mais ser e menos pensar. Menos desejar e mais agradecer. Mais sonhar e mais realizar. Menos falar e menos teclar. Mais ouvir e mais parar. Menos adiar e mais confirmar. Mais acreditar. Mais confiar. Mais amar. Mais do tamanho dos outros. Mais lado a lado. Mais bonito. Mais simples.

Querida Sofia, o teu caminho para a simplicidade é um ensinamento que eu não vou querer perder. 

Partilhas com amigos nas Portas do Sol
Nós e a Sofia.
Nada a ver com o texto. É só uma foto a fazer de conta que não sei que estou a ser fotografada.


FELIZ

2 thoughts on “O caminho para a simplicidade

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