A Internet tem destas coisas

Aqui há uns tempos uma menina do Brasil deixou um comentário no meu blog. A sua história assemelhava-se à minha, o irmão tinha falecido de acidente de mota há 3 meses atrás e também ela criou um blog ao qual deu o nome de Amai-vos.

Hoje de manhã recebo da Carla (que sem me conhecer, por acaso visitou a minha página do hi5) este texto maravilhoso. A partilha da dor com alguém que passou por uma situação semelhante, mesmo sendo um desconhecido, dá-nos algum conforto e esperança… que existe algo mais do que aquilo que conseguimos ver.

Apeteceu-me partilhar este texto com aqueles que vêem aqui ao blog, seja por saudades do Pedro, ou por infelizmente terem experiências de vida semelhantes à minha.

posted by Patrícia Costa Mateiro
“Quando ingressei na faculdade, conheci uma miúda que tal como eu, não conhecia ninguém no meio académico. Tornámo-nos as melhores amigas… Ríamo-nos das praxes, chorámos juntas os amores e desamores da vida, vivíamos cada dia intensamente. No verão de 2001, quando soubemos que tínhamos passado de ano na faculdade e que afinal o 1º ano da licenciatura de direito, até nem era tão difícil… Tínhamos festas e festas a toda a hora com a nossa turma e colegas mais velhos, que entretanto, achavam que tínhamos o perfil que qualquer caloiro devia ter: o de responsabilidade primeiro, o da diversão: sempre! Nesse mesmo ano e porque nem sempre se vive alegre… a minha amiga Andreia faleceu num acidente de automóvel (noticiado em toda a comunicação social) de noite, depois de uma festa a que eu por acaso não fui e portanto, não usufruí do mesmo meio de transporte que ela. Faleceram 2. Ela e outro amigo, num carro com 3 pessoas. O condutor não sofreu nada.
Ainda hoje custa muito e já passaram alguns anos. Ao longo do meu caminhar no curso, senti a sua falta e todos sempre nos referimos a ela como presente: como caminhando ao nosso lado e dando-nos força para continuar com uma coisa que ela não pode finalizar. Era filha única. Os pais, ficaram sem mais ninguém. Contam hoje connosco, sempre que necessitam. O namorado, a pessoa com quem ela namorava desde os 14 anos e que morava no mesmo prédio que ela… ficou de rastos. Afinal, tinham-se chateado e acabado a relação uns meses antes do fatídico dia. O Pedro ficou de rastos, sem poder dizer-lhe que a amava e que afinal só não estavam juntos por coisas sem importância, por chatices que às vezes arranjamos e que não existem. Porque às vezes, só se dá importância ao que se perde. Restou-lhe as melhores amigas para o consolar e para lhe dizer o que só ele precisava ouvir: a Andreia amava-o e tinha esperanças de reatar com ele, daquela briga feia que tiveram. Ele ao saber, deixou de estar preso ao passado, passou a viver um dia de cada vez. Hoje, o Pedro é um homem conformado que perdeu a sua alma gémea, mas que ganhou um anjo protector e que assim estarão sempre juntos.
Estava eu a relembrar-me de tudo isto como se fosse um filme a passar muito depressa sem um botão “stop” quando calhou ver a tua página hi5. Não sei se foi coincidência. Sei é que a tua história inspira muitas pessoas a seguirem em frente com calma, coragem e determinação.
Todas as pessoas são fortes, eu então tenho a mania que sei tudo, mando em tudo e nao choro nunca (típica jurista)… até viver um momento que não esperava. Um momento de fragilidade. Eu já vivi um. Infelizmente, sei que não será o único.
Particularmente sei que para ti, o dia 13 não é facil. Ainda mais um dia que dizem ser de azar. Pois eu hoje espero que te recordes somente das coisas boas. Como tu dizes: “do seu sorriso”, da sua alegria, da sua amizade e eterna bondade que existirá e permanecerá sempre nos que o conheceram e o rodeavam. Nao te conheço Patricia. Nao conheci o Pedro. Mas não pude ficar indiferente. A dor essa, é profundamente marcante e por muito que queiramos não desaparece nunca. Houve muita coisa que ficou por fazer… por dizer… por viver junto, com aqueles sorrisos puros e alegria verdadeira.
Patrícia: Desejo-te a ti e à tua família, muita fé, muita paz e muita força para que a recordação não se apague e que ele viva sempre. Alguma coisa que necessites da minha parte, por favor não hesites em me contactar. Naquilo que puder fazer, fá-lo-ei sempre. Às vezes uma palavra amiga, consola o mundo e sana aquelas picadas que sentimos no coração. Continua quem és. Fantástica. Ele ficará orgulhoso.
Um abraco muito grande!”
posted by Carla Castro

2 thoughts on “A Internet tem destas coisas

  1. Olá Carla!Obrigada pela tua mensagem! A tua mensagem chegou no dia certo. Agradeço-te pelo simples facto de partilhares o que te vai no coração.Para que nada fique por dizer…Um beijinho para ti e para a Patricia também,Mariana Mendia

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