3. Pai, seremos sempre felizes contigo

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A partilha de hoje é da Marta, da minha amiga Marta. Conheço a Marta há 25 anos, fizemos juntas uma longa caminhada de fé e amizade com a nossa Equipa de Jovens de Nossa Senhora. Actualmente as nossas vidas não se cruzam muito (embora muito em breve esse ciclo vá ser alterado), não temos filhos na mesma escola nem a praticar nenhum desporto juntos, não somos vizinhas e nem sequer moramos na mesma localidade. Das poucas vezes que estamos juntas, é como se ainda estivéssemos sentadas à mesa em casa da Lurdes e do Luís numa reunião de partilha das EJNS.

A Marta tem uma família linda com 4 filhos rapazes, 3 louros como a mãe e um moreno como o pai. A partilha da Marta é sobre a falta que sente do pai que partiu há 9 anos, sendo que o que mais lhe custa, é que o avô Francisco não esteja presente na vida dos meia dúzia, a forma carinhosa como a Marta chama à sua família.

Querida Marta, acreditando como eu sei que acreditas, o teu Pai onde está só pode estar muito orgulhoso da Marta, Mãe e Mulher que tu te tornaste. Obrigada pela tua coragem ao enviares esta partilha. Grande beijinho.

“Querida Patrícia…

O Meu Pai…
Parece que o estou a ver no dia em que tudo aconteceu…27 de outubro de 2008 e ainda hoje estão tão claras e presentes as frases ditas por uma amiga que anunciou a morte do meu Pai, passada 1hora de ter estado com ele no café a tomar o pequeno-almoço!
Na altura lembro-me passei por vários sentimentos, de revolta, de dor profunda, lembro -me que me sentia completamente perdida e à procura de uma pessoa que tanto amava e que de repente tiraram da minha, das nossas vidas…chorei tantas vezes em silêncio e às escondidas, pelo menos procurei fazê-lo nunca perto da minha Mãe porque sem dúvida, se é que podemos qualificar ou quantificar a dor, a dor da minha Mãe seria bem maior, eu tinha o Pepê que foi maravilhoso em todos os momentos, tinha os nossos Amigos que estiveram sempre connosco e tinha a “peça” fundamental que me serviu como porto de abrigo, como “injeção” diária para lidar com a minha dor, o nosso filho Pê, que na altura tinha 18 meses e que ainda conheceu o avó Francisco e lhe foi dada a oportunidade de ter ainda o seu colinho….
O meu Pai era um Ser Humano Maravilhoso, toda a gente o conhecia, mas ele não conhecia ninguém, não por mal, mas por feitio, era desinteressado da vida dos outros, mas não dos outros, a sua maior felicidades era ver todos bem e sempre contribui para isso…era um Homem de poucas palavras, mas quando solicitado tinha as certas! Não era de festas, nem de carinhos, gestos que prezava mas à sua maneira, muito à sua maneira…
O tempo foi passando e foram surgindo aquelas datas mais difíceis, mais significativas, nestes dias a cadeira vazia, o barulho dos passos, o cheiro, a presença, o sorriso, tudo faz mais falta, tudo provoca mais dor…o tempo vai passando, a dor está sempre lá, mas passa a ser vivida de outra forma, sentida de maneira diferente e com isto não quer dizer que seja menor!
Entretanto fiquei grávida do meu segundo filho e sempre desejei e pedi a Deus ter só rapazes, mas nesta gravidez fui mesmo muito maçadora neste meu pedido para que viesse um rapaz para ter o nome do avó Francisco! Há coisas que não se explicam e que nem sequer interessa o porquê, mas o Francisco fisicamente é muito parecido com o avó e tem traços no feitio que são exactamente iguais, primeiro à Mãe, mas o grande responsável é o avó…quando a veia salta do pescoço está tudo “estragado”, ou não!
Não há dia nenhum que não me lembro do meu Pai, as saudades???? são muitas, muitas, não consigo descrever, não consigo, fico sem ar e toda apertada! sinto-o muitas vezes comigo, procuro-o muitas vezes e sei que está lá sempre, muitas vezes de cabeça baixa sinto uma festinha da sua mão que me sabe tão bem, é aquele gesto que diz: estou aqui! sinto-lhe o cheiro, quem me conhece bem sabe que sou muito de cheiros, sinto muito a sua presença através do cheiro…tantas saudades! falo com ele muitas vezes, não me zango com ele porque já não era hábito fazê-lo, sempre encaixamos na perfeição e assim continua.
Ainda fico com os olhos cheios de lágrimas de cada vez que olho para os nossos quatro filhos e penso que não conheceram o avó Francisco e o quanto ele gostava de os ver crescer, de andar de bicicleta com eles, de levá-los a passear ao pinhal como sempre fez comigo…tanta coisa que ficou por fazer, tanta coisa, se por um lado aceito que tem que ser assim, por outro tira-me o ar porque queria que fosse tudo diferente e éramos todos tão mais felizes!
Agora uma parvoice mas que quero partilhar, sempre que vou correr, sobretudo acima dos 10km que já nos exige um esforço maior, físico e sobretudo psicológico ainda para mais para quem gosta de correr sozinho, como é o meu caso, tenho por hábito “convidar” sempre o meu Pai, e se por um lado começamos lado a lado, nos últimos km, nem tenho que pedir pois o meu Pai continua a fazer como sempre fez, leva-me ao colo e assim mais facilmente chegamos à meta!
Tenho o maior orgulho, vaidade no Pai que tive, continuo a falar dele com um brilho nos olhos, uma mistura de felicidade e tristeza, mas sempre com orgulho de ser a Marta, a filha do conhecido Balasteiro, nome pelo qual era conhecido e carinhosamente tratado…
Saudades muitas, muitas mas todos os dias falamos, todos os dias sorrimos um para o outro, todos os dias me orgulho de ser sua filha, todos os dias olho para os nossos filhos e tenho a maior vaidade de ver ” a veia do Francisco a saltar do pescoço”, bem como pequenos pormenores nos outros manos que me fazem ter o avó sempre por perto!
Não quero deixar de falar aqui no Pepê,o meu marido, foi maravilhoso e incansável, tudo bem sei que é o esperado, mas nem sempre acontece…e sei o quanto o Pepê gostava do meu Pai, as saudades que sente dele e engraçado em tantas coisas são parecidos…
Hoje sei que estás bem Pai, tenho essa certeza, não diminui a minha dor mas ajuda-me a lidar o melhor possível com ela e todos os dias falamos contigo em oração…os teus netos conhecem te bem, não fisicamente, mas sabem que ainda que só com duas mãos consegues abraçar os quatro, os teus quatro netinhos como seriam tratados…
Não fico triste quando falo de ti porque tu não eras uma pessoa triste, eras e sempre serás um Ser Humano Maravilhoso, de bem com a vida, de bem com todos….
Seremos sempre felizes contigo Pai…”
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Meia dúzia

 

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