Férias, irmãos, chocolate, família, viagens e amigos são a melhor coisa do mundo.

Férias, irmãos, chocolate, família, viagens e amigos são, para mim, a melhor coisa do mundo. E foi assim, com o melhor do mundo, que saí de 2018 e entrei em 2019. A fazer o que mais gosto. Eu que não ligo nenhuma à mudança do ano no calendário, não me sinto a renovar nem com necessidade de prometer nada nem a mim nem aos outros, nem espero mais do novo ano do que aquilo que eu estou disposta a dar, não perco a oportunidade de uns dias de férias para me gozar dos meus.

Estivemos os 5, com mais 5 amigos, uns dias em Baqueira Beret. Sair nesta altura do ano tem a desvantagem de ser uma das semanas mais caras sem direito a qualquer tipo de promoção ou desconto para famílias numerosas. É temporada alta e, em alguns casos, alta especial. O dinheiro que gastámos nestes dias (que falta de ar ver os movimentos na conta precedidos dum hífen) punha-nos aos 5 a banhos nas Caraíbas naquelas semanas da engorda de papo para o ar. Ou num cruzeiro pelas ilhas gregas. E o que eu gostava de ir à Grécia. E agora até tenho a desculpa de ter lá alojamento e amigos para visitar.

Mas quem gosta de neve, entende: não trocava estes dias por nada. Que sorte temos por gostarmos os 5 e termos a oportunidade de ir. Para o pai é uma altura óptima. É talvez a semana mais parada no campo. Para além de que, sairmos nesta altura, fica automaticamente decidido o que fazer na passagem de ano.

Há 02 anos, também nesta altura do ano, tínhamos estado em La Molina e eu lesionei-me numa queda de snowboard. No rabo. Aos invejosos posso assegurar que continua redondo e jeitoso. Aos curiosos foi apenas um osso fracturado. Uma queda sem jeito nenhum , é quase sempre assim. Prometi a mim mesma que ia mudar para o ski. E mudei. Com direito a algumas quedas e com muitas saudades do snowboard, o desafio foi superado. Embora em modo tartaruga, desci a montanha em cima de um par de esquis. Se a semana tivesse sido maior ainda arriscava um dia em cima da prancha.

Ficámos alojados a cerca de meia hora de Baqueira, onde a disponibilidade e o orçamento formaram o par possível. Numa família de 5 há várias condicionantes na escolha do alojamento. Queríamos apartamento mas que tivesse pequeno-almoço, queríamos que desse para cozinhar mas que também existisse a possibilidade de fazer refeições no restaurante do hotel. Devido à distância dos meios mecânicos, todos os dias tínhamos de pegar no carro. No final do segundo dia, no regresso ao hotel, o nosso carro avariou. Felizmente não passou de um susto. Mas sabendo que tínhamos os 3 miúdos sentados no banco de trás o susto foi mesmo grande. O carro perdeu a direcção assistida e ameaçou perda de travões. Tivemos de chamar a assistência em viagem e esperar 02 horas (escuridão total e sem conseguir ligar o aquecimento do carro) que chegasse o reboque. Muito antes do reboque chegou o socorro dos amigos que são como família e que, aliás neste caso até são mesmo família, que nos levaram os filhos para o spa do hotel (nada mau para um 3*) e nos fizeram o jantar. Como a sorte até estava do nosso lado, o carro foi reparado em 2 dias na melhor oficina de Esterri d’Aneu: a única que lá existe.

O que aprendemos com este susto: imprevistos podem sempre acontecer e não podemos deixar que isso afecte o que tínhamos planeado fazer – o carro esteve 2 dias na oficina e nós, com recurso a táxi e boleias, fizemos tudo como inicialmente previsto; nunca ficar sem bateria no telemóvel – neste caso teria sido impossível carregar o telemóvel no carro; conhecer bem as condições do seguro e assistência em viagem, ou melhor ainda, fazer um seguro de viagem; levar o carro à revisão antes de uma viagem grande (e nós levámos, mas pelo vistos não detectaram o problema); manter sempre a calma e transmiti-la aos miúdos.

Tirando este pequeno imprevisto, correu tudo muito bem. Não nevou mas fez sol todos os dias e as máquinas de fazer neve conseguem autênticos milagres; aprendi a fazer ski; descobri que ter aulas em grupo, mesmo para um adulto, é muito mais divertido que um professor particular (os espanhóis do meu grupo estavam malucos com a portuguesa); o Kiki continua um verdadeiro kamikaze e apanhou um susto porque se perdeu de nós (há 02 anos foi o professor que o perdeu numa aula); o Zé Maria, que não gosta de nenhum desporto, adora fazer ski, é super desenrascado a falar espanhol e mostrou que sabe muito bem tomar conta das suas coisas; relembrei que a melhor maneira de aquecer as mãos na neve é a segurar um chocolate quente; os 3 manos juntos souberam esperar uns pelos outros nas descidas (o Kiki menos) e sempre pela mãe (a mais lenta do grupo); vê-los a ajudarem-se uns aos outros e a ficarem felizes com as conquistas de todos não tem preço; um hotel de 3* para os 5 e com a companhia de amigos é melhor que um de 5* só para dois; férias, irmãos, chocolate, família, viagens e amigos são, sem dúvida, a melhor coisa do mundo.

O que custa mais na neve: o desconforto do peso do material e das botas de ski, as dores nos pés, as dores no corpo todo, o constante pingo no nariz, o preparar a roupa dos 5 todos os dias à noite, perguntar aos 3 mil vezes pelas luvas e pelos óculos, o preço das refeições nas cafetarias nas pistas, a distância de carro.

É inevitável, mesmo de férias, em alturas de maior cansaço, acharmos que as coisas podiam estar ainda melhores e que talvez daqui a um ano tudo poderá ser mais fácil. Que daqui a um ano o Zé já vai calçar e apertar as botas sozinho, que já vão todos arrumar a roupa ao final do dia quando se despem, que já vão poder ficar na piscina do hotel sem supervisão. Essa distracção de achar que para o ano é que é, por vezes não nos deixa ver como tudo está tão perfeito agora. Hoje. Lá. Aqui. Tudo é muito mais do que eu alguma vez sonhei. Assim. Eu, a mãe, o pai, o marido, eles pequenos a acordarem-nos de noite, os três a perguntarem-me onde guardei as meias. Ou os 4. Assim. Como estamos agora. Não é preciso esperar por amanhã ou pelo ano que vem para ficar melhor. Agora está tão bom.

Os meus mais velhos
The Big FIVE
Love you ALL
Nada mau para um 3* em Foros de Baqueira
ZéCé (como a sua professora o apelidou). Encontrámos o desporto do Zé
Os dois
A terminar 2018 com mais um desafio: mudei para o ski
Mano mais velho sempre a ajudar
Eu a ser eu
Meu Kiki Kamikaze
Feliz

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