Eu. Eles. E todo um F.S.

No balanço da escolha das estações do ano ficamos divididos em eleger uma preferida. Se por um lado é mais agradável passear com sol e tempo quente por outro lado é nos dias de chuva e, sobretudo no Inverno, que conquistamos ao campo mais tempo do pai para nós.

Desde muito cedo que me habituei a passear sozinha com eles. Com a chegada do terceiro, o bebé Zé (“oh mãe, pode parar de escrever no seu blog bebé Zé… é que há pessoas que leem e eu já não sou bebé”), houve coisas que deixei de fazer como, por exemplo, os dias que passavamos em Agosto na praia da Zambujeira do mar. Fiz dois ou três anos seguidos com o João Maria e com o Kiki mas com o Zé Maria ainda nunca fiz. Talvez um dia voltemos a esses dias em Agosto, ao mar mexido e às subidas e descidas de escadarias para as praias paradisíacas.

O meu receio de sair sozinha com os três era quase sempre com o Kiki. O Kiki fugia muito. Mas quando digo muito, é mesmo muito. Chegava aos sítios e fugia. Ao ponto de me deixar a pensar se andaria à procura de outra mãe, de outra família. Ou não, ou era só o Kiki a ser Kiki. E eu apenas com 2 mãos e com medo de não conseguir segurar os 3.

Este fim-de-semana foi a primeira vez que saímos os 4, eu e eles, para um fim-de-semana programado sem o pai. Já tínhamos feito algumas viagens sozinhos para o Algarve mas onde tínhamos estado sempre acompanhados com os tios, primas e amigos. Viagens essas onde eu não tinha sequer coragem de parar nas estações de serviço por serem locais com muita gente e muitas portas, muitas casas-de-banho, muitos carros a chegar e a partir. Medos que só vivem nas cabeças das mães. Mas este fim-de-semana já consegui parar. Já sem medo de os perder mas com a nítida sensação de ser assaltada cada vez que eles me pediam alguma coisa “mãe, um pacote de pastilhas, mãe um pacote de batatas, vá lá mãe, vá lá”.

Passámos o fim-de-semana em Guimarães e em Braga onde o João Maria foi participar num torneio de rugby sábado e domingo. Fomos na sexta-feira logo à saída das aulas. Jantámos no restaurante do hotel para ser mais fácil para mim. Aproveitámos os 4 o SPA do hotel no sábado de manhã, uma vez que o João Maria só tinha de estar no campo às 12H00. E no sábado jantámos no centro com amigos, numa praça lindíssima cheia de esplanadas e de pessoas.

Mas como não há dias nem F.S. perfeitos, aqui vai o pior e o melhor do nosso.

O pior:

  • há qualquer coisa de desconfiado neles em relação à minha condução… e é algo que eu não entendo. Por exemplo, nem sequer adormeceram nos 600km que fizemos de viagem!
  • os homens são mais precavidos com o dinheiro e sabem sempre onde guardam os talões dos parques de estacionamento. Eu, que nunca ando com dinheiro na carteira, porque tenho sempre esperança que os pagamentos com MB não apareçam todos a débito na conta, tive de correr no sábado até ao MB mais próximo para levantar dinheiro para pagar o parque. Sendo que quando cheguei ao pé da máquina de pagamento não encontrava o cartão. Tive de despejar a mala toda no chão, incluindo os cartões todos que tinha dentro da carteira, com 2 senhores muito sérios a olhar para mim e a perguntarem-me se precisava de ajuda “sim, aceito toda a ajuda do mundo, aceito CASH e aceito também que me arrombem a cancela do parque para eu sair sem ter de encontrar a porcaria do talão do estacionamento”.
  • continuo a não ser a melhor pessoa a fazer cumprir regras, principalmente quando os (in)cumpridores se tratam dos meus filhos
  • sinto-me pouco segura sem a presença do pai e levantei-me a meio da noite para confirmar se a porta do quarto estava fechada
  • mesmo com GPS enganei-me no caminho para o Bom Jesus do Monte e só cheguei lá depois de uma amiga partilhar a sua localização comigo
  • tinha as expectativas muito elevadas em relação à possibilidade de poder relaxar num spa de hotel ao mesmo tempo que os meus 3 filhos e acabei a experiência aos berros com eles: “meninos não se pode gritar no SPA”  
  • foi difícil, num fim-de-semana em que o mais velho tinha jogos os dois dias, encontrar o equilíbrio para não concentrar todo o tempo atrás da agenda do João Maria. Sei que os pequenos gostariam de ter feito outras coisas e de ter passeado mais
  • o não conseguir beber quando estou sozinha com eles. Mesmo ao jantar não consegui descontrair o suficiente. Sei que tenho de estar bem para eles se for necessário intervir em alguma coisa
  • o dinheiro que se gasta para sair de casa 2 dias
  • dormi mal. Muito mal. O Kiki deitou-se comigo as 2 noites, dormiu colado a mim e parecia uma autêntica máquina de lavar roupa na fase da centrifugação, daquelas que saltam da varanda para o corredor, assim saltava eu ao lado dele com os tremeliques ele dava durante a noite

O melhor

  • a descontração do Kiki descalço no hall do hotel a tocar piano – vai mesmo ter de voltar às aulas de piano, é um instrumento espectacular e é tão bom chegar a um sítio, encontrar um piano e saber tocar
  • ficarmos todos no mesmo quarto e adormecermos juntinhos de televisão ligada (em casa ninguém tem TV no quarto)
  • observar-los de longe e de perto, de muito perto, ouvir as conversas deles, perceber que falam em código, ouvem musicas que eu não conheço e sabem juntos as letras de cor
  • a sorte que tenho em ter esta companhia tão boa comigo. Ainda ontem eu tinha três crianças e agora já tenho um adolescente de 14, um menino de 11 e uma criança de 08. Três companhias do melhor que há e que me mimam até mais não
  • a superação do ir. A coragem e a vontade de ir com eles neste fim-de-semana. O bom entendimento do pai, que mesmo não podendo estar, prefere o vamos ao ficamos
  • ver os irmãos mais novos invadirem o campo no momento da vitória e festejarem ao lado do mano (trouxemos o caneco carago! #carregaRCS!)
  • acompanhar o João Maria na vitória deste torneio que teve um sabor tão especial

Era muito importante para mim ficar com boas recordações de Braga. Dizem que não devemos voltar aos lugares onde somos felizes. Discordo e volto sempre que posso. Neste caso voltei para apagar o cheiro do medo do hospital onde o João Maria esteve em observação há exactamente um ano. Voltei para agradecer, mais uma vez, o susto não ter passado de apenas isso, um susto.

Agradecer também o bom que é o convívio com esta família que é o Rugby Clube de Santarém.

Obrigada.

[sobre os locais por onde andámos]

Onde?                  Santa Luzia Arthotel, mesmo no centro de Guimarães

Como?                 Restaurante Buxa, numa praça lindíssima no centro

Porquê?              Braga Youth Rugby Cup

Bom Jesus. Boa menina.
Jantar 1º dia no hotel. Tão sossegadinhos os três Marias da Mãe
Preparação para o SPA
Eu pedi para não correrem…
Muito sol. Muito mimo.
#carregaRCS

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