Sim, eu sei, sou uma privilegiada

 

Sim, eu sei, sou uma privilegiada.

Moro a 12 minutos de carro do trabalho, a 5 minutos (a pé) de casa da sogra e a 15 minutos da casa da mãe. Estou a 15 minutos de um dos meus restaurantes preferidos e também a 15 minutos de uma das lojas onde mais gosto ir. Por acaso às compras já não vou há muito tempo. Até sei o dia. A última peça de roupa que comprei para mim foi um vestido preto no LIDL no dia 31 Agosto, ainda a Heidi Klum não sabia o que era o LIDL já eu andava a rebuscar as prateleiras metálicas do corredor central. Prometi a mim mesma que não comprava nem mais uma peça de roupa enquanto não virar do avesso os meus roupeiros e retirar o que está a mais. Mais de 2 meses sem comprar nada para mim é muito ou pouco? Deixei passar o fim dos saldos sem comprar nada, 2 meses já é algum tempo. Este domingo vou ser madrinha de crisma da minha cunhada, pelo menos umas collants devo ter de comprar, mas ainda vou espreitar se não está nenhuma embalagem nova presa por baixo da gaveta.

Moro numa vila. Posso ir ao pão de bicicleta, tenho uma daquelas giras de cesto à frente, presente do Zinho quando fiz 39, apareceu-me de surpresa no café ao pé do trabalho montado na bicicleta azul bebé com o cestinho à frente.

Mudei de emprego aos 40. De emprego e de área. Com a mudança de área fiz uma pós graduação às sextas e sábados com 3 filhos abaixo dos 12 anos e um marido que trabalha sempre ao sábado.

Tenho a casa que nunca sonhei ter, 2 cães e uma árvore centenária que não plantei mas onde já muitas vezes na sua sombra me deitei.

Já viajei por alguns países, mais do que os dedos das 2 mãos abertas conseguem contar. Não costumo almoçar em centros comerciais, nem jantar. Por acaso jantámos os 5 esta semanas nas galerias comerciais do Campo Pequeno mas porque não podíamos chegar atrasados ao tão esperado espectáculo do Wrestling ao vivo (sim fomos os 5 e divertimo-nos todos muito, que “biolência”).

No outro dia em visita às Caves Aliança explicaram-me que a razão do Joe Berardo expor as obras de arte da sua colecção privada (sua? ou um bocadinho minha também?) é que por se sentir um privilegiado em ter essas obras sente-se na obrigação de as partilhar com outras pessoas. Eu senti um bocadinho isso ao escrever-vos hoje, porque o privilégio de estarmos vivos precisa de ser relembrado e no meio de tantas queixas que vamos repetindo com facilidade, facilmente nos esquecemos de todos os pequenos (grandes) privilégios que temos.

Regressei ontem à noite de dois dias de trabalho no Luso por ocasião das 7ªs Jornadas de Enoturismo. Os miúdos ficaram com o pai. Quando entrei em casa estava o jantar quase terminado, a lareira acesa e o Zé Maria a fazer os trabalhos da escola na bancada da cozinha. Havia sopa feita num tupperware no frigorífico. Recebi beijinhos e um abraço prolongado.

Sou ou não sou uma privilegiada?

Também poderão gostar de ler: Dorme bem meu amor, amanhã vai ser um dia bom

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Já estou a repetir fotografias! Preciso mesmo de tirar fotografias novas.

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